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30 de abril de 2026 · 7 min de leitura

O que Sinner em Madri me ensina sobre liderança consistente

Sinner atropelou Zverev 6-1, 6-2 em Madri. O que esse placar diz sobre consistência de alta performance e o que eu aplico na gestão da UNODATA.

Jovem executivo de pé diante de quadro branco com gráficos de desempenho, sala de reunião iluminada, postura concentrada e confiante.

Acordei cedo no sábado, vi o placar e fiquei parado por uns segundos: 6-1, 6-2. Não foi uma virada dramática. Não foi batalha de cinco sets com pneu furado no terceiro. Jannik Sinner, número 1 do mundo, foi à Caja Mágica em Madri e simplesmente funcionou. Derrotou Alexander Zverev, um dos melhores tenistas do planeta, com uma eficiência que beira o mecânico. Primeiro Masters 1000 em Madri, mais um título empilhado numa carreira que ainda tem muito chão pela frente.

Eu poderia ignorar isso como curiosidade esportiva de fim de semana. Mas não consigo. Sou pai de atleta, acompanho de perto o universo da performance jovem no esporte, e sou CEO de uma empresa de tecnologia onde o tema consistência operacional é debatido toda semana. O 6-1, 6-2 não me fala sobre talento. Me fala sobre sistema.

A pergunta que ficou na minha cabeça enquanto eu bebia o primeiro café: como um cara de 22 anos mantém esse nível de entrega semana após semana, torneio após torneio, superfície após superfície? E mais importante: o que isso tem a ver com a forma que lidero equipes e tomo decisões aqui na UNODATA?

Vou tentar responder de forma direta, sem romantizar o esporte nem transformar isso num painel de autoajuda.

Consistência não é talento, é sistema operacional

Quando Sinner entrou na quadra hoje, Zverev já estava na final de um Masters 1000. Não é adversário fácil. É um jogador de 2,01 metros com saque devastador, forehand pesado e experiência de Grand Slam. O tipo de oponente que, num dia ruim do líder do ranking, vira a mesa.

O dia ruim não veio. E isso me interessa muito mais do que o talento do italiano.

No mundo de TI empresarial, eu vejo dois perfis de equipe com frequência. O primeiro é aquele time que performa de forma esporádica: brilha num projeto, some no próximo, depende de contexto favorável, de cliente simpático, de prazo folgado. O segundo perfil é aquele que entrega independente do ambiente: prazo apertado, cliente difícil, escopo mal definido, e ainda assim o output sai com qualidade.

O segundo perfil não é mais talentoso. Ele tem um sistema operacional mais maduro. Rituais de trabalho, processos de revisão, clareza sobre o que é aceitável e o que não é. Sinner tem isso. Você vê na forma que ele reseta entre pontos, na rotina de aquecimento, na maneira que ele lida com erro. O talento está a serviço do sistema, não o contrário.

Consistência de alta performance não nasce de talento. Nasce de sistema operacional que funciona mesmo quando o ambiente não coopera.

O que um placar de 6-1, 6-2 diz sobre tomada de decisão

Um atropelo desse tamanho raramente acontece por um único motivo. Ele é o resultado acumulado de dezenas de microdecisões corretas ao longo de dois sets. Sinner não acertou um golpe impossível que definiu o jogo. Ele tomou as decisões certas nos momentos certos, repetidamente.

Isso me lembra muito o trabalho de gestão estratégica que faço aqui. As grandes viradas na UNODATA não vieram de um único movimento ousado. Vieram de uma sequência de decisões menores que, olhando para trás, formaram um padrão claro.

Alguns princípios que tento aplicar e que vejo refletidos no jogo de Sinner:

  1. Decidir rápido no que é operacional. Sinner não hesita em golpes que já estão no seu repertório. Ele executa. No meu time, decisões operacionais recorrentes precisam de dono e critério definido. Não chegam na minha mesa.
  2. Guardar energia decisória para o que é estratégico. Os pontos mais importantes do jogo, ele muda o padrão, surpreende, assume risco calculado. Eu faço o mesmo: concentro atenção nos movimentos que definem trimestre, não nos que definem o dia.
  3. Aceitar o erro sem colapso. Ele cometeu erros não forçados hoje. Não parou, não mudou a postura corporal, seguiu. A forma que um líder reage ao erro define a cultura do time muito mais do que qualquer discurso de valores.
  4. Não mudar o que está funcionando. Quando o plano de jogo está dando resultado, você não mexe. Disciplina de não se sabotar quando está ganhando é mais rara do que parece.

O papel do ambiente na consistência

Madri é saibro. Sinner prefere superfícies mais rápidas, pelo histórico dele. Mas ele venceu de forma dominante numa superfície que não é o seu forte declarado. Isso diz algo importante: quando o sistema está calibrado, o ambiente adverso não é desculpa, é variável gerenciada.

No contexto de negócios em TI, isso se traduz diretamente. Mercado aquecido, cliente exigente, stack tecnológica muda a cada seis meses, concorrente agressivo em preço. Quem tem sistema operacional sólido gerencia essas variáveis. Quem depende do ambiente favorável sofre de forma desproporcional quando o ambiente piora.

Alta performance jovem: o que vejo como pai e como CEO

Esse ponto é onde minha visão de CEO e minha visão de pai de atleta se encontram de um jeito que não consigo separar.

Sinner tem 22 anos e já opera com a maturidade competitiva de alguém com dez anos a mais de carreira. Quando olho para isso, penso nos jovens que treinam no clube do meu filho, e penso também nos profissionais jovens que entram na UNODATA.

A pergunta que me faço nos dois contextos é a mesma: estou criando ambiente que desenvolve sistema, ou ambiente que só recompensa resultado?

Há uma diferença enorme entre as duas coisas. Recompensar só resultado gera performance esporádica, dependente de condição favorável. Desenvolver sistema gera atleta e profissional que entregam mesmo quando o dia está difícil.

Os pontos de convergência que observo entre formação esportiva séria e formação de times de alto desempenho em TI:

  • Feedback imediato e específico, não genérico.
  • Rotina de revisão do que funcionou e do que não funcionou, sem busca de culpado.
  • Clareza sobre qual é o padrão mínimo aceitável de entrega.
  • Liberdade para experimentar dentro de um framework definido.
  • Liderança que modela comportamento, não só discursa sobre ele.

Sinner tem isso numa academia, num técnico, numa rotina. Meu desafio como CEO é construir o equivalente organizacional disso na UNODATA.

A pergunta que o 6-1, 6-2 deixou aberta

Torneios terminam. Rankings mudam. Zverev vai vencer Sinner em outros dias. Isso é certo.

O que não muda de um jogo para o outro é o sistema que está por baixo da performance. E é exatamente isso que eu persigo aqui: construir uma operação que não dependa de circunstância favorável para entregar bem.

Não tenho resposta definitiva sobre se estamos lá ainda. Mas sei que é o único caminho que faz sentido quando você quer construir algo que dure.


Perguntas frequentes

O que diferencia um profissional consistente de um talentoso?

Talento cria picos de performance. Consistência cria média elevada ao longo do tempo. O profissional consistente tem processos internos definidos, reage bem ao erro e entrega independente do ambiente. O talentoso depende de condição favorável para brilhar.

Como aplicar os princípios de alta performance esportiva na gestão de times de TI?

Os princípios centrais são: feedback específico e imediato, revisão regular de processos sem caça ao culpado, critério claro sobre padrão mínimo de entrega e liderança que modela o comportamento esperado. Não são conceitos novos, mas poucos times aplicam de forma sistemática.

Por que um CEO de tecnologia deveria prestar atenção em resultados esportivos?

Esporte de alto nível é um laboratório de gestão de performance com resultados mensuráveis em tempo real. Placar, ranking, estatística de erro não forçado: tudo isso é dado limpo sobre como um sistema humano opera sob pressão. É difícil encontrar esse nível de clareza no ambiente corporativo.

O que significa ter um sistema operacional sólido numa empresa de TI?

Significa que os processos de entrega, decisão e revisão funcionam independentemente de quem está de plantão ou do humor do cliente. A empresa entrega bem porque o processo exige isso, não porque as pessoas certas estiveram disponíveis no momento certo.

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