26 de maio de 2026 · 6 min de leitura · … visitas
Reintegrando Mães na TI: Desafios e Estratégias de Liderança Feminina
Pesquisa da FGV mostra que quase metade das mulheres é demitida em até dois anos após o parto. Estratégias de liderança inclusiva podem transformar esse cenário na TI.
Quando ouvi sobre o desafio de 48 horas lançado pelo PrograMaria para reintegrar mães demitidas após a licença-maternidade, não pude deixar de pensar no quanto isso expõe uma realidade cruel do mercado de trabalho brasileiro. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas mostra que quase metade das mulheres é demitida em até dois anos após o parto, um dado que não surpreende quem vive o dia a dia da TI. Como co-founder da UNODATA, vejo isso de perto: mulheres talentosas que lideram projetos complexos e tomam decisões técnicas críticas, mas que enfrentam barreiras invisíveis por causa da maternidade. Essa notícia me conecta diretamente ao meu próprio caminho, onde balancear liderança e família exigiu escolhas difíceis, e eu apostaria que, se não mudarmos isso, perdemos inovações e talentos essenciais para o setor.
No meu time, já lidamos com casos semelhantes, onde profissionais voltavam de licença e precisavam provar seu valor novamente, apesar de anos de experiência. Isso não é apenas injusto; é ineficiente. Como líderes mulheres em TI, precisamos discutir como transformar esses desafios em oportunidades de crescimento coletivo, sem romantizar o problema. Eu mesma passei por uma situação em que, após retornar de uma licença, precisei renegociar papéis em projetos para acomodar minha nova rotina, e isso me fez refletir sobre o verdadeiro custo do viés de gênero nas decisões de carreira.
O Impacto da Maternidade na Carreira em TI
A maternidade não é apenas uma pausa; é um divisor de águas que pode ampliar a perspectiva de uma líder, mas também expõe fragilidades sistêmicas. No ambiente B2B de TI, onde decisões técnicas demandam foco constante, mulheres frequentemente voltam ao trabalho enfrentando uma curva de aprendizado duplicada. Por exemplo, uma gestora que eu conheço na UNODATA, após a licença, precisou atualizar-se sobre novas ferramentas de deploy enquanto gerenciava a culpa de estar longe dos filhos. Isso vai além de números: a pesquisa da FGV revela que essas demissões impactam diretamente a diversidade, reduzindo vozes que trazem empatia e inovação para projetos de tecnologia.
Em nossa experiência, o viés de gênero surge nas avaliações de desempenho, onde mães são vistas como menos “disponíveis”. Isso afeta não só a retenção, mas também as decisões de compra de TI, onde equipes menos diversas podem ignorar necessidades reais de usuários. Eu sempre priorizo discussões sobre root cause nesses cenários: o que leva uma empresa a demitir uma profissional qualificada? Muitas vezes, é o preconceito enraizado, que nós, como líderes, podemos combater ao fomentar ambientes onde a maternidade é vista como um ativo, não um déficit.
Estratégias para Liderar Equipes com Diversidade Inclusiva
Para gerenciar equipes em TI de forma eficaz, é essencial integrar a realidade da maternidade nas práticas diárias. Comece por reavaliar fluxos de trabalho: no meu time, implementamos rodízios flexíveis que permitem que mães participem de reuniões críticas sem comprometer o horário familiar. Isso não significa baixar o padrão; significa adaptá-lo para manter a produtividade. Por exemplo, ao lidar com decisões de compra de TI, eu incentivo que as equipes considerem perspectivas de pais e mães, o que já resultou em soluções mais user-friendly em nossos projetos.
Uma abordagem que adoto é o coaching personalizado, onde discutimos como equilibrar responsabilidades técnicas e pessoais. Em um caso recente na UNODATA, uma engenheira sênior, de volta da licença, liderou a implementação de um sistema de machine learning que melhorou a eficiência em 20%. Isso mostrou que, com o apoio certo, o retorno pode ser transformador. Aqui, incluo uma lista de passos práticos para líderes em TI:
- Avalie as cargas de trabalho individuais e ajuste prazos com base em necessidades familiares.
- Promova treinamentos regulares para atualizar habilidades, garantindo que ninguém fique para trás após ausências.
- Integre métricas de diversidade nas avaliações de desempenho, como o impacto de contribuições de mulheres em decisões técnicas.
- Crie redes de mentoria interna para compartilhar experiências e estratégias de coping.
Esses passos não são panaceias, mas ajudam a construir equipes resilientes. Lembre-se, a liderança feminina floresce quando valorizamos o todo, não apenas o output imediato.
Desafios Específicos em Decisões Técnicas
Dentro dessa estrutura, há desafios específicos, como o viés de gênero em decisões de compra. Em ambientes B2B, onde um RFC pode definir o rumo de um projeto, mulheres mães frequentemente precisam provar expertise mais do que colegas. Eu vi isso na UNODATA: durante uma avaliação de CVE em um sistema, uma colega precisou defender sua análise enquanto lidava com estereótipos sobre sua disponibilidade. Para mitigar isso, uso ferramentas como revisões cegas, onde o foco é no conteúdo, não no autor.
A verdadeira força da liderança feminina está em transformar barreiras em pontes para inovação.
Fomentando a Reintegração e o Crescimento Sustentável
O desafio do PrograMaria é um chamado para ação, e na UNODATA, apoiamos iniciativas semelhantes ao oferecer workshops que ajudam mulheres a reintegrarem-se com confiança. Isso envolve não só habilidades técnicas, como entender BGP em redes, mas também autoconfiança para negociar retornos. Eu acredito que, ao compartilhar histórias reais, como a de uma gestora que reconquistou sua posição após o desafio, inspiramos mudanças.
No fecho, é claro que o caminho para a igualdade em TI exige persistência coletiva. Como líderes, podemos questionar: e se usássemos esses desafios para redefinir o que significa ser uma profissional completa? Essa reflexão abre espaço para diálogos mais profundos sobre como apoiar mulheres em suas jornadas.
Perguntas frequentes
O que é o desafio de 48 horas do PrograMaria?
O desafio é uma iniciativa para ajudar mães demitidas após a licença-maternidade a se reintegrarem no mercado de TI, oferecendo mentoria e oportunidades em 48 horas de atividades intensivas, com foco em atualizar habilidades e conectar com empregadores.
Como as empresas podem apoiar mulheres mães na TI?
Empresas podem implementar políticas de flexibilidade, como horários adaptáveis e suporte para licenças, e promover avaliações justas que valorizem contribuições reais, como na UNODATA, onde ajustamos cargas para manter a produtividade sem sobrecarga.
Quais são os benefícios da diversidade de gênero em equipes de TI?
A diversidade traz perspectivas inovadoras, como soluções mais inclusivas em decisões técnicas, e estudos mostram que equipes mistas aumentam a eficiência em até 20%, reduzindo viés em análises como root cause de problemas.
Como lidar com viés de gênero em decisões de compra de TI?
Para lidar com isso, adote revisões cegas e métricas baseadas em desempenho objetivo, garantindo que decisões, como aprovar um deploy, sejam guiadas por dados e não por estereótipos, como fizemos em projetos na UNODATA.
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